Nunca havia visto charme em sardinhas. Muito pelo contrário. Até alimentava um certo ar de rejeição. Achava aquelas pintinhas rubras um defeito. Preconceituoso que eu era. Ignorante até. Para mim, somente as ruivas apresentavam essas bolinhas. Depois de 2008, tudo mudou. Sardinhas passaram a ser belas.
Minha ignorância foi se extinguindo. Decidi ir atrás. O que, realmente, eram aquelas bolinhas? Descobri que as sardinhas eram mais freqüentes em pessoas de olhos e peles claras, pois essas são mais sensíveis ao sol. As sardinhas têm até um período de vida. Estão em maior quantidade nos adolescentes. Muitos, para minha surpresa, chegam a fazer tratamentos e até cirurgias para eliminá-las de seus rostos.
Reparei que Gisele Bündchen – sim, a übermodel saída de Horizontina, aqui no Pampa – ostenta sardinhas. Belas sardinhas, por sinal. E, se uma das mulheres mais bonitas do mundo possui as tais pintinhas, por que razão eu iria achá-las feias?
Uma das. Pois a mais bonita delas circula muito próximo daqui. Brilhando, com cabelos, pele e olhos claros. E, claro, com sardinhas. As mais charmosas que eu já vi. Elas destacam sua dona de longe. Acompanhadas de um belo par de olhos azuis, franja, e botas de cano alto, as belas sardinhas, por onde passam, arrancam suspiros, aceleram corações, fazem descuidados deixarem cair suas folhas.
Não há quem não pare o que estiver fazendo. Tarefas urgentes tornam-se supérfluas. Tudo pelas sardinhas. Agora, só me resta aguardar o fim da diferença de horas entre hoje e amanhã. Afinal, nunca se sabe até quando irá o privilégio de poder admirar tal dádiva. Quando terminar, procurarei mais pintinhas.
Texto publicado para a disciplina Redação em Relações Públicas, em agosto/08. Depois, muita coisa mudou.
domingo, 25 de janeiro de 2009
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